Abaixo transcrevo o artigo do Prof. Dr. Alacir Arruda (Currículo CNPq – Lattes) sobre o Projeto Reciclando Tecnologia publicado pelo TID – Telecentros pela Inclusão Digital.
Para ler na página do TID, este é o link: http://www.tid.org.br/modules/news/article.php?storyid=644
———-
Coordenador Pedagógico: Alacir Arruda
Resumo:
Este documento trata do projeto RT (reciclando tecnologia), uma parceria da FATEC – Guaratinguetá e a Escola Estadual Prof. Jose Pereira Eboli. O projeto consiste da transferência de conhecimentos por parte da Faculdade de tecnologia de Guaratinguetá para os um grupo de alunos do Eboli, quanto a reativar equipamentos descartados, obsoletos ou em desuso, aproveitando todo o poder computacional ocioso de um moderno Desktop e aplicar o conceito em beneficio da educação nos ensinos Fundamental e Médio, disponibilizando ferramentas e conhecimento técnico livremente. Os alunos do Éboli, agora denominados monitores, serão treinados pelos alunos da Fatec e este conhecimento será usado na Escola.
Objetivos:
Capacitar alunos e professores da Escola Estadual Jose Pereira Éboli a utilizar a tecnologia de terminais leves e softwares livres.
Justificativa:
Devido à grande rotatividade dos computadores pessoais de mesa (desktops) nas organizações privadas ou públicas provocada pela chamada “ditadura do upgrade”, que força uma substituição de todos os computadores ainda em funcionamento a cada três ou quatro anos em função da mudança dos aplicativos ou sistemas operacionais de mercado, muitos computadores são descartados como obsoletos mesmo estando em perfeitas condições de funcionamento. Esta troca periódica, sempre justificada pelo avanço dos programas de computador, mesmo que estes sejam para executar as mesmas tarefas de sempre, faz aumentar ano a ano, a já assustadora quantidade de lixo eletrônico no Brasil e no mundo. Lixo este, que muitas vezes ainda funciona. A participação do adolescente neste processo vem de encontro aos novos modelos de conscientização humana que leva em conta a o grau de responsabilidade de cada cidadão com o futuro do planete.
Introdução:
É extremamente comum pensar se em investimentos vultosos quando se trata de tecnologia da informação, entretanto, no modelo aqui apresentado este investimento constituise em sua maior parte de boa vontade. O projeto tenciona tornar realidade o acesso público e gratuito à internet em locais como a biblioteca pública, escolas municipais, ou centros comunitários, além de dar suporte à educação em todos os níveis através da democratização do acesso ao conhecimento e ao universo digital. Após dois anos observando o comportamento de jovens entre 18 e 21 anos, percebi que estes jovens em geral não demonstram qualquer interesse na leitura ou no estudo normal, muito menos em desenvolver um projeto para a própria vida, e quando indagados sobre o conteúdo preferido na internet, em sua maioria respondem que utilizam o acesso à internet apenas como meio de lazer, onde encontram pessoas similares, com os mesmos interesses, e a mesma linguagem no Orkut, por exemplo, além de poderem expressar se para esta comunidade. Este é o grande diferencial entre o Orkut e um bom livro. Independente de qualquer discussão sobre qualidade de vonteúdo. vídeo para que os alunos, orientados por professores, possam produzir e editar vídeo digital, criando por exemplo, vídeoaulas como trabalhos extracurriculares.
Pode se desta forma estimular a competição entre escolas, exibindo o material finalizado na própria escola ou na biblioteca municipal tornando o ato de estudar mais dinâmico e prazeroso. Imaginemos o resultado para os próprios jovens de um documentário realizado por eles mesmos sobre gravidez na adolescência, drogas, violência, mercado de trabalho ou qualquer outro assunto, produzido pelos próprios alunos, na linguagem dos próprios alunos, para os próprios alunos. A introdução dos computadores na escola entretanto, não deve alterar demais a rotina das outras disciplinas para não criar um distanciamento entre os professores e os alunos, em outras palavras, o projeto é contrário ao ensino de informática nas escolas. Os cursos de informática convencionais são voltados para o trabalho e não para a formação de pessoas, assim, deve se usar a tecnologia da informação como ferramenta auxiliar às disciplinas escolares. Ou seja, deve se ensinar língua portuguesa no computador, matemática no computador, enfim, todas as disciplinas ensinadas com o uso dos computadores. Outra meta a ser alcançada é o envolvimento da família dos estudantes no projeto, através de cursos ministrados pela própria escola, ou pelos cursos de gestão empresarial ou informática da FATEC, abrindo a escola para toda a comunidade, transformando a escola num pólo de desenvolvimento para todos, aproximando a escola e a universidade da comunidade, aproximando os pais e os alunos, promovendo a inserção no mercado de trabalho através da democratização do conhecimento e da elevação da autoestima dos alunos envolvidos no projeto, já que utilizarão computadores que eles próprios reformaram.
Como o projeto funciona: Através de um mecanismo simples que envolve a renovação do parque computacional de empresas privadas e uma parceria com a Escola Estadual Jose Pereira Éboli, escolas técnicas e a universidade que pode proporcionar os computadores para os projetos de educação tecnológica de um município. Ao invés de descartar os equipamentos como lixo eletrônico, a empresa os entrega à secretaria de educação ou à escola “adotada”. Na escola, duas salas de aula podem ser o bastante para o projeto, onde uma é a oficina onde os próprios alunos recondicionam os equipamentos assistidos por alunos de escolas técnicas ou universidades, e a segunda sala é o laboratório onde os outros alunos terão aulas e farão pesquisas com os computadores. As vídeo aulas, documentários ou curta metragens produzidos pelos alunos serão exibidas nas escolas e nas bibliotecas públicas, onde também haverão computadores(terminais) recondicionados pelos alunos para acesso público gratuito à internet, este artifício visa atrair o jovem novamente para dentro da biblioteca, tornando esta um centro
Conclusão:
Num momento em que a humanidade vive um paradoxo entre conhecimento e realidade, este projeto renova as esperanças a medida em quem trabalha conceitos técnicos e humanos em jovens, que utilizarão esses mecanismos na sua vida e por conseguinte, transferirá a outros.
“A inteligência e o caráter das massas são incomparavelmente inferiores à inteligência e ao caráter dos poucos que produzem algo de valor para a comunidade”. (EINSTEIN, Albert. O pensamento vivo de Einstein. Martin Claret, 1988).
Fonte: http://www.tid.org.br/modules/news/article.php?storyid=644